O marketing político instalou-se no Brasil há muito tempo. Na Era Vargas o então presidente popular criou um slogan para seu programa de governo: “O petróleo é nosso” dando origem à criação da Petrobras. Até mesmo na hora de sua morte ao escrever uma carta de suicídio Vargas usou toda a sua persuasão ao dizer: "Saio da vida para entrar na História". O que dizer de Juscelino Kubitschek que se aproximou do povo brasileiro somente adotando a abreviação de seu nome, passando a ser chamado de J.K. O mesmo eternizou seu governo por seu Plano de Metas que tinha como slogan: “Cinquenta anos em Cinco”, esse foi o lema que levantou a construção de nossa capital nacional, Brasília.
Nas eleições de 2002, podemos acompanhar o case da campanha de Luis Inácio Lula da Silva. É incrivel ver a transformação que foi feita entre o ex-sindicalista que perdera eleições passadas para o presidente mais popular do mundo. Duda Mendonça, publicitário especialista em marketing político, hoje é aclamado no PT sendo até chamado de “guru”, foi o responsável por tal processo de reposicionamento da imagem do então canditato a presidência. Mendonça fez uma análise dos dois candidatos que concorreram o segundo turno das eleições e enfatizou : “Hoje a imagem do presidente Lula ‘pesa’...ele é tão popular quanto o Padre Cícero. Se não é, chega bem perto.” E foi provado que o apoio não só partidario como até mesmo o imagético de Lula foi o diferencial para a eleição de nossa atual presidente Dilma Rousseff.
Em 2008 com a eleição do candidato democrata Barack Obama para presidência dos EUA, podemos dizer que o mundo parou. Dia 4 de novembro de 2008 foi eleito o 44º presidente americano, e muito mais que isso, Barack entrou para a história, afinal é o primeiro negro a governar os Estados Unidos. Porém a história ainda guarda outros capítulos, pois a sua campanha política impactou todas as vertentes do marketing. Com um planejamento estratégico impecável, desde uma direção de arte incomparável, ao slogan memorável: “Yes, we can” (Sim, nós podemos). Sua campanha foi um fenômeno mundial porque teve como trunfo decisivo de sua eleição o mundo digital e as mídias sociais.
Será que é difícil entender a importância da internet em um país como os EUA, onde mais de 98% de sua população se comunica através do celular, e 72% utilizam sms,e “to text” já virou verbo da língua local? Barack e sua equipe de comunicação entenderam e usufruíram deste novo meio. Foi feito um esquema de publicidade especial fechado com os canais do Google. Anúncios online locais e segmentados, mirando os nichos. Vídeos musicais virais, discursos célebres e grandes momentos da TV disseminados via email, redes sociais e YouTube. Uma atenção especial as três grandes redes sociais do país, o Facebook, MySpace e o Twitter,com prioridade de verbas destinadas ao primeiro.
Passados dois anos da vitória de Obama, o Brasil tentou processar o impacto da internet e do marketing político digital feito na campanha “Yes, we can”. A campanha eleitoral que passamos prometeu desde o inicio engajar digitalmente a população, tendo em vista que os brasileiros são considerados heavy user de redes sociais, já que 87% dos internautas no Brasil usam redes como Orkut, Twitter ou Facebook. Sem dúvida formamos um ambiente propício a tal engajamento digital, mas na prática, o que se viu foram eleitores pouco engajados. Os três principais então presidenciáveis contrataram profissionais para tocar exclusivamente os braços digitais de suas campanhas. O mesmo aconteceu aqui em nosso estado, onde a ex-governadora Ana Julia Carepa e o eleito governador Simão Jatene lideraram a corrida em busca do “voto digital”.
A candidatura a reeleição teve alto custo. Foi uma campanha esteticamente bela, segundo críticos do assunto, pois seguiu o padrão de marketing imposto por seu partido. Porém Ana Julia deixa a desejar quando se trata de imagem pessoal, após seu governo criou-se entre os paraenses uma Ana Julia diferente da que havia sido eleita há quatro anos. Por sua vez Simão Jatene teve custo médio com sua campanha, mas a mesma era funcional. O outro fator que segundo críticos foi decisivo para o triunfo da vitória, foi a boa utilização da imagem de Jatene, onde o candidato é reconhecido no estado por sua simpatia. O fato é: Será que aqui no Brasil e aqui no estado do Pará o marketing político digital foi bem aplicado? Será que interferiram de alguma forma no resultado das eleições tal como aconteceu com Obama?
Com base nos estudos de Canclini, podemos afirmar então que o marketing político digital é um processo de hibridação cultural em constante transformação, diferenciando-se da tradicional visão patrimonialista, adotando uma postura de mobilidade e ação. Assim o conceito de hibridação pode ser adotado para produtos culturais com tecnologias avançadas e processos sociais moderno, logo está ligado diretamente com o novo conceito digital na política. O autor Jésus Martín Barbero também aborda os híbridos e chama de “cidade virtual” ao sistema de comunicação que, assim como o marketing político, não está materializado e restrito ao contexto real, entretanto, se localiza no espaço das redes.
Sendo assim, podemos perceber que a internet é um grande meio para a comunicação e uma excelente ferramenta para o marketing em geral, contudo precisamos entender na teoria como vamos atingir nossos objetivos sem que haja erros comunicacionais. Essa não foi a primeira eleição no Brasil com a utilização da internet nas campanhas, mas é a primeira com redes sociais fortes e com a presença do até então desconhecido: Marketing político digital.